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O movimento cíclico de "A caixa"

Os personagens Arthur Lewis (James Marsden) e Norma Lewis (Cameron Diaz) O filme "A caixa" ( The Box , 2009, EUA), interpretado por Cameron dias num papel bem diferenciado do restante de sua carreira no cinema, é um verdadeiro quebra-cabeças. O longa é uma refilmagem do curta-metragem “Buton, Buton” feito em 1986 para a série de TV "Além da Imaginação”. Podemos interpretar a história como um círculo vicioso. Os protagonistas aceitam apertar o botão sem dimensionar que, em troca, alguém tem que ser sacrificado. Eles não acreditam que isso seja verdade até que realmente se dão conta de que aconteceu. E, como castigo, o mesmo que foi feito a outro que apertou o botão acontece a eles: a mulher é sacrificada porque alguém apertou novamente o botão. Mas, isso é quase uma coincidência, porque o momento em que o casal decide sacrificar a esposa pelo bem do filho é simultâneo ao momento que outro casal aperta o botão. Ou seja, existiam duas razões para a mulher ser sacrif...

A Belle Époque dos artistas

Os artistas da Belle Époque não tinham um estilo único. Alguns pintavam sobre a morte, a fome, a miséria e a dor. Outros, sobre a vida, o belo e a forma. Podemos dizer que a própria arte revela uma época cheia de contradições e diferenças no âmbito econômico, político e social. Diferenças que provoca em cada autor uma necessidade de expressão diferente. Cada artista dá enfoque àquilo que para si apresentava-se como um referencial duma época ou mesmo de uma sociedade. Muitos desses artistas pertenciam à alta classe burguesa, porém contestavam a própria classe social através de suas obras. Isso explica o porquê de muitos quadros só serem publicadas após a morte de seus autores. Os impressionistas, por exemplo, não eram bem vistos pelos apreciadores de arte. O desprezo dado a eles está relacionado à ausência da forma em seus quadros. Uma sociedade burguesa precisava da forma como símbolo de ordem e civilização. O belo está ligado à forma. O "feio" e/ou disforme ao primitivo e d...

O novo superman

Quando Jerry Siegel e Joe Shuster escreveram a HQ (História em Quadrinhos) “Superman” para a editora DC Comics não imaginavam que seria tanto sucesso, menos ainda, que a “estória” do homem de aço do planeta Krypton ganharia cinco adaptações para o cinema, todas feita pelos estúdios da Warner Bros. Dezenove anos depois de sua última adaptação, – Superman IV - Em busca da paz (Superman IV – The Quest for Peace, EUA, 1987) – Superman retorna às telas do cinema na pele de Brandon Routh, o “Christopher Reeve da nova geração”. Superman – O Retorno (Superman Returns, EUA, 2006), tenta refazer a série que marcou o cinema na década de oitenta com os mesmos efeitos que eram surpreendentes para a época e que aos jovens de hoje podem parecer ultrapassados. O filme conta com a direção de Bryan Singer, experiente em direção de filmes baseados em estórias de super-heróis dos quadrinhos, X-men (2000) e X-men 2 (2003) e com o veterano Kevin Spacey interpretando o vilão Lex Luthor.   ...

O Encanto na Narrativa Cinematográfica

Deleuze diz em As Potências do Falso que Jean Rouch “substitui suas ficções pelas fabulações do outro”. O mesmo serve para falar de Luiz Villaça em relação ao estilo que ele adota em O Contador de Histórias. O filme poderia ter uma linguagem dramática que coloca a violência e a pobreza como problemas sociais insolúveis. Mas Villaça prefere construir uma narrativa que mostra as peripécias de um menino de treze anos recheadas de fantasias que se misturam com a realidade. Ver o mundo como uma história fabulosa era quase um tranquilizante para Roberto Carlos Ramos, hoje um dos maiores contadores de história do mundo. E para contar a vida deste que encanta pela palavra e por seu dom para contar história, Luiz Villaça optou por mergulhar neste universo mágico. O filme faz uso de figuras de linguagem semelhantes às dos mitos, fábulas e contos infantis. É tudo tão mágico que se fecharmos os olhos ao ouvirmos o próprio Roberto narrar “comida de primeira, professores edificantes e quartos e...

Verdades e mentiras no cinedocumentário: análise do filme Juízo, de Maria Augusta Ramos e Wilsinho Galiléia, de João Batista Andrade

Será tudo verdade? João Batista de Andrade em  Wilsinho Galiléia  cria uma nova linguagem para o cinema numa época em que não havia espaço para a criação. Num período que a censura ditava quem podia fazer e como deveriam ser feitos os filmes. O cinema reafirma o seu sentido de arte e entretenimento. Pois, o filme de João Batista tem caráter artístico e foi desenvolvido para um programa feito para as massas. Os cineastas que começaram no Globo Repórter dos anos 70 encontraram no próprio conceito de cinema uma maneira de ligar a arte a comunicação e a informação.     Já Maria Augusta Ramos em  Juízo  encontra uma nova linguagem para cinema num momento em que a banalização da violência tomou conta do cinema. Augusta se distancia da “arte da violência” para discutir a violência através de um “documento-ficcional” onde verdades e supostas verdades são imagens que se misturam. Para explicar a precariedade do sistema judiciário brasileiro Augusta reafir...

Metrópole Perdida

Janeiro de 2014, nós estamos em uma cidade onde os turistas ricos não vêem os nativos pobres. Os meios de transporte separam as duas classes sociais e a natureza reforça a divisão. O trem bala por dar mais conforto custa mais caro que o trem comum, a fim de economizar as passagens paga pelos donos do poder, os pobres optam pelo uso do bilhete único nos ônibus caindo aos pedaços. Nos dias de chuva, os turistas transitam pelos teleféricos enquanto a população carente circula pela cidade tentando atravessar as ruas completamente alagadas. Semanalmente morrem pessoas contaminadas pela amebíase, cólera, febre amarela, hepatite A, malária, poliomielite, salmonelose, teníase, leptospirose, entre outras doenças. O governo exige que a população também usufrua dos transportes “aéreos”, mas os teleféricos não são uma boa alternativa para a população porque não transporta o trabalhador da casa para o trabalho, apenas move turistas de um morro a outro. O metrô cada vez mais acessível a hab...